terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Dizer "Basta!" não é o bastante

Prezo-me por ser um cidadão comum. Com os seus defeitos, com as suas qualidades. Nas reflexões que faço e escrevo, não quero ser mais do que isso e, como tal, posso expressar dúvidas, ignorância, saberes, consoante a matéria em causa. Como qualquer cidadão comum.


Procuro que a expressão escrita seja o mais próximo possível da expressão falada, com as limitações que o bom senso dita e com a leveza das coisas simples e populares.

Bem sei que os profissionais da comunicação têm regras de ética que lhes permitem avaliar se estão ou não a cometer exageros nos termos usados quando escrevem e medir as consequências do que dizem. Não é o meu caso. Penitencio-me por isso. Digo o que me vai na alma, de forma ingénua, mas sincera e responsável.

Falei do que sentia e alguém reparou numa expressão que, mesmo adequada, poderia ter uma interpretação diferente da que eu queria e aproveitou-a para se vitimizar e me acusar de injurioso.

O “tento na linguagem” que me foi recomendado “no louvável exercício da cidadania” não tem em conta que o possível exagero da linguagem utilizada é consequência do exagero dos factos que a provocam. Não atingi a honra nem a intimidade de ninguém. Tão só quis dizer que a impunidade a que se assistia não era compatível com as regras vigentes. "Era preciso dizer basta” conforme reza a douta sentença.

Ora, como é que pode este simples “grito” ( para ser ouvido por quem deveria ter actuado e não actuou ) ser punível com indemnização ao prevaricador que, imagine-se (!) “sofreu graves prejuízos morais” não pela afronta e pela desobediência que cometeu, mas porque um “bandalho” lhe apontou o dedo?!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Absolvido mas condenado

“A Justiça não pode estar refém daqueles que têm maior poder económico!”


Sabem quem é que disse isto? - O nosso Presidente da República, num belo dia, na abertura do ano judicial, e m 2008. Foi, aliás, com esta frase que eu concluí o “texto maldito”.

“Vamos aguardar! Estou confiante na Justiça!”

Sabem quem é que disse isto ? – Eu!(que tenho a consciência tranquila e estou como estou).

E sabem quem é que mais disse isto (e continuam confiantes)? – Manuel Godinho, Armando Vara e outros que se zangaram com alguém e ficaram a “descoberto”.

Porque é que eu estou com esta conversa?

Porque a minha sentença tem qualquer coisa de bizarro. É que sou absolvido da acusação criminal, mas condenado a indemnização cível! Então? Há crime ou não há crime? Se não há, porquê a indemnização?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A Sentença

De pé, no lugar do arguido e frente à Srª Drª Juíza, ouvi, com toda a atenção, a leitura da sentença.

Foram várias as páginas em que a matéria criminal foi sendo esfumada. Alturas houve em que até foram tecidos alguns elogios à minha atitude cidadã, enquanto na defesa do colectivo. Soube bem ouvir algumas frases reveladoras de que o Tribunal tinha entendido bem o que me levou a utilizar a tal expressão. Tudo parecia encaminhar-se para a absolvição. Porém, as últimas linhas dão uma volta de 180º, quando é dito que havia “prejuízos morais merecedores de indemnização”, não os 5000 euros pedido pelo autor, mas 1500, como sinal de boa vontade!

Inconformado, irei recorrer.

Luis Galrão fez a notícia em Tudo Sobre Sintra .

Sabem o que me apetece dizer-vos?


Não sejam como eu: ANJINHOS.

Esqueçam que o Estado somos todos nós e que todos temos o dever de zelar por ele.

Não chamem mentiroso a quem vos conta mentiras; não chamem caloteiro a quem vos deve dinheiro; não chamem ladrão a quem viram roubar; não chamem corrupto a quem corrompeu ou se deixou corromper; não falem em “fora da lei” quando virem alguém na mais flagrante transgressão. Pode o visado ser um senhor fulano tal, que se sente ofendido e vos processa por difamação.

A partir daí, o ter mentido, o ter armado o calote, o ter roubado, o ter corrompido, o ter tido um comportamento ilícito, passará para segundo plano. O que agora conta é a “injúria”, que justifica indemnização cível e é convertível num determinado montante. Podem fazer um “desconto” em relação ao pedido inicial, mas vai sempre ter que indemnizar o “ofendido”. As vítimas? Essas apenas esperam que o Estado as defenda.

Isto é o que apetece dizer, mas não se pode, pois entre a contenção da linguagem para dizer as verdades e a "lei da rolha", a distância é mínima.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Sentença

Ele sabia que estava em transgressão, mas continuou;


Ele foi notificado para parar, mas não ligou;

Viu, depois a situação publicada e…não gostou.

Achou-se ofendido na sua honra.

Processou-me, enquanto autor da desbocada notícia, como se fizesse sentido acusar o mensageiro por dar a conhecer o seu próprio disparate.

Passaram-se quase 3 anos. Embora não esteja habituado a estas lides de tribunais, sempre acreditei que a Justiça me seria favorável, pois agi responsavelmente e em consciência, em defesa do interesse colectivo, chamando a atenção das autoridades para uma obra ilícita de que resultavam prejuízos notórios para a vizinhança. Cumpri tão só, um dever de cidadania.

Amanhã, 6 de Janeiro, pelas 14 horas, ouvirei a minha sentença.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Eu ou o Capitão Haddoc

Ontem, durante a audiência, soube de coisas que me deixaram de boca aberta. O advogado da acusação, a quem agradeço ser um “devoto” leitor deste blogue, encontrou nos vários textos que aqui foram sendo publicados, uma lista de impropérios que eu terei chamado ao seu constituinte e com os quais ele pretendia reforçar a ideia de que as minhas “ofensas” não se resumiam ao artigo publicado no Jornal de Sintra, mas teriam sido “continuadas” neste blogue.

Segundo ele, eu terei chamado ao Sr. Comendador, “explorador”,” criminoso”, “assassino”, (numa lista muito maior de nomes idênticos, que não consegui registar)!!!!

O Senhor Doutor leu os meus escritos e, pelos vistos, não houve alegoria que se lhe escapasse, nem palavra feia que não aproveitasse, para "fazer de mim" um difamador de primeira apanha. Mas, das duas uma : ou o Senhor Doutor procurou nos textos as palavras que seriam passíveis de ofensa, riscando-as uma a uma, descontextoalizando-as, ou interpretou muito mal as minhas palavras, como se de “infames vitupérios” se tratassem. E elencou-as.

Inevitavelmente, comecei a imaginar-me na pele do Capitão Haddoc, amigo do Tintim, em que ele, que tinha mau vinho, com um copito, começava de vociferar insultos em catadupa, até que terminassem os efeitos do “éter” na mioleira.

Caro doutor, sugiro uma leitura mais atenta dos textos, pois, que raio, até uma quadra do Aleixo, a que teve a bondade de se reportar, lhe pareceu ofensiva! É que uma coisa é não gostar de um texto porque, consciente ou inconscientemente, se faz alguma comparação inconveniente, outra coisa é concluir que o texto está a ofender.

Finalmente, foram ouvidas todas as testemunhas e feitas as alegações finais: da acusação, da defesa e as minhas. Dia 6 de Janeiro, será lida a sentença.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O "capta-carácter"

Após ter ouvido em audiência, afirmações insultuosas a meu respeito, por parte de quem não me conhece, à saída, cometi a parvoíce de me dirigir à testemunha que as proferiu, apenas pelo facto de eu poder ter percebido mal (“que tenho complexos e inveja do Sr. Comendador”).

Julgava eu que poderia contar com um “pinguinho” de cordialidade numa abordagem serena que, muito sinceramente, não me dava qualquer prazer. Mas mesmo assim tentei.

Concluí rapidamente que os impropérios mais suaves, afinal, foram os que eu tinha ouvido na sala, pois fui autenticamente bombardeado com um chorrilho de injúrias que culminou com esta "pérola":

- “Basta olhar para a sua cara para ver que o senhor não presta!”

Ora, uma “visão” destas, caso acertasse, seria um dom raro a preservar.

Não tendo eu igual capacidade, só depois de o ouvir é que tirei as minhas conclusões. Só que não digo quais foram.

Obs.- Ainda não foi desta! Falta ouvir as minhas testemunhas, o que ficou marcado para 7 de Dezembro.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O dia da Justiça

E eis que chega o dia 9 de Novembro, o dia designado para que seja ditada a minha sentença :
condenado por ter falado verdade ou absolvido porque o Tribunal reconhecerá que quem me acusou não tinha razões para se sentir "enxovalhado" com o que eu disse.
Sobre o verdadeiro caso - o tal que me levou a dizer que ninguém estava acima da Lei - há novos desenvolvimentos que me foram ontem comunicados pela Provedoria de Justiça.
Falarei deles assim que saiba a minha "sina".